Associação de Professores
da PUC Goiás
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06.10.2026 POST Site Antecipacao Salarial

A nova antecipação salarial anunciada pela Administração Superior da PUC Goiás confirma uma realidade que a Apuc e o Sinpro Goiás vêm denunciando há anos. Mais uma vez, a Reitoria concede uma antecipação de 4,7% sobre o salário de setembro de 2026, com seis meses de atraso. A medida ocorre depois da pressão exercida pela categoria e das manifestações promovidas pela Apuc e pelo Sinpro Goiás. É importante reconhecer que o trabalho desenvolvido pelas entidades tem produzido resultados concretos. Mas também é preciso dizer, com clareza, que antecipação não é reajuste salarial negociado coletivamente. E tampouco representa a recomposição integral das perdas acumuladas desde 2020. A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) só não foi assinada porque o Semesg exige a flexibilização dos contratos dos(as) Professores(as) TIs de 40 horas, assinados há mais de 15 anos.

Mesmo considerando os 4,7% anunciados, a defasagem salarial do período permanece em 17,60%. São perdas que atingem diretamente o poder de compra e qualidade de vida dos(as) Docentes. Há ainda um agravante que não pode ser ignorado: as antecipações não repercutem nos anuênios e quinquênios. Assim, Professores(as) que dedicaram anos de trabalho à PUC Goiás sofrem um prejuízo adicional. O mesmo ocorreu com as antecipações concedidas em 2024 e 2025, que também não incidiram sobre esses benefícios. Na prática, o tempo de serviço, que deveria ser valorizado, acaba sendo acompanhado por perdas ainda maiores.

Reduzir a compensação do trabalho docente a meros paliativos financeiros agride a dignidade da própria vocação educacional. Na perspectiva católica do trabalho, a remuneração não é apenas uma transação econômica, mas a justa medida da dignidade humana expressa na dedicação de quem constrói e molda o futuro. Professor(a) não vive de reconhecimento simbólico: quem sustenta a Universidade com seu trabalho, merece salário justo e direitos respeitados.

O comunicado da Administração Superior da PUC Goiás associa a antecipação ao Projeto PUC 7.0, à modernização da gestão e aos investimentos institucionais. Reconhecemos a importância de uma Universidade sustentável, inovadora e comprometida com a qualidade acadêmica. Mas não existe excelência universitária sem valorização de quem sustenta diariamente o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Laboratórios, plataformas digitais e infraestrutura são fundamentais, mas o corpo docente constitui patrimônio essencial da Universidade.

Como bem nos recorda o Papa Leão XIV em sua primeira carta encíclica, _Magnifica Humanitas_, as inovações tecnológicas e os avanços na gestão devem estar intrinsecamente a serviço do bem comum e do primado da pessoa sobre as estruturas. O Pontífice adverte que "a grandeza de uma civilização não se mede pelo sucesso material, mas pela forma como ela cuida de cada ser humano". No cenário educacional, transpor essa diretriz magistral significa reconhecer que ferramentas digitais e modernizações institucionais perdem seu sentido ético se relegarem a segundo plano a dignidade material e a justa remuneração daqueles que humanizam e dão alma ao processo educativo.

A própria Reitoria destaca, em sua mensagem, a contribuição dos(as) Professores(as) para formar pessoas capazes de pensar criticamente. É justamente por isso que a categoria precisa ter sua voz respeitada também nas relações de trabalho. A valorização docente precisa ultrapassar os discursos institucionais e chegar ao contracheque. Professor(a) valorizado(a), é Professor(a) com salário recomposto, direitos preservados e carreira respeitada.

A Apuc e o Sinpro Goiás contituarão firmes na luta pela retomada efetiva das negociações e pela recomposição das perdas. A mobilização demonstra que a organização coletiva faz a diferença. E cada Professor e cada Professora tem papel decisivo nessa construção. Filiar-se à Apuc e ao Sinpro Goiás é fortalecer a representação da categoria. É transformar a insatisfação individual em força coletiva de negociação e mobilização. Quanto maior a participação, maior a capacidade de enfrentar perdas, defender direitos e conquistar avanços.

Neste Mês do(a) Professor(a), mais do que receber parabéns, a categoria merece respeito, reconhecimento e valorização concreta. Apuc e Sinpro Goiás: juntos, na defesa do trabalho docente e de uma Universidade que valorize quem a constrói todos os dias.

Apuc e Sinpro Goiás


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