Associação de Professores
da PUC Goiás
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08.04.2026 POST Abril VerdeA segurança e a saúde do trabalho na Educação Superior envolvem uma série de desafios específicos relacionados à dinâmica da atividade acadêmica. A atuação em pesquisa, o uso frequente de laboratórios e a crescente pressão por produtividade científica expõem Professores(as) Universitários(as) a riscos diversos, que exigem políticas institucionais mais estruturadas e efetivas.

No ambiente universitário, a atuação vai além da sala de aula. Professores(as) de áreas como saúde, biologia, química, engenharias e física, por exemplo, estão expostos a agentes biológicos, químicos e físicos, o que exige o cumprimento rigoroso de normas de segurança, uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e sinalização apropriada dos ambientes. Em laboratórios, por exemplo, há riscos relacionados a substâncias perigosas, radiações e ruídos, que requerem monitoramento contínuo e protocolos bem definidos.

Outro ponto crítico é a ergonomia. A rotina docente inclui longas horas dedicadas à orientação de pesquisas, produção de artigos científicos e correção de trabalhos. Além disso, atividades repetitivas, como o uso constante de computadores e a escrita em quadros, podem causar adoecimentos físicos. Nesse contexto, é fundamental que as instituições garantam mobiliário adequado, condições ambientais confortáveis e realizem análises ergonômicas periódicas, conforme previsto nas normas regulamentadoras.

A saúde mental, no entanto, tem se destacado como um dos principais desafios na Educação Superior. O chamado produtivismo acadêmico — caracterizado pela intensa pressão por publicações e resultados, muitas vezes vinculados a exigências de órgãos de fomento — tem contribuído para o aumento de casos de estresse, ansiedade e burnout entre docentes. A sobrecarga de atividades, que inclui ensino, pesquisa e demandas administrativas, agrava ainda mais esse cenário.

Diante desse contexto, as instituições de Ensino Superior, tanto privadas quanto públicas, possuem responsabilidade na implementação de políticas efetivas de prevenção. Entre as medidas recomendadas estão a adoção de Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com identificação dos perigos específicos de cada área; a elaboração de mapas de risco visíveis nos ambientes de trabalho; e a realização de exames periódicos por meio do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Além das responsabilidades institucionais, é fundamental que, nós, Docentes estejamos atentos(as) às condições de trabalho e para exercermos nosso papel ativo na defesa de um ambiente seguro e saudável. Caso identifiquem irregularidades — como ausência de EPIs, condições ergonômicas inadequadas ou falta de suporte à saúde mental — é essencial que comuniquem à Apuc.

O registro dessas situações fortalece a atuação coletiva, contribui para a cobrança de melhorias e ajuda a prevenir o adoecimento da categoria. A promoção de ambientes de trabalho seguros na Educação Superior passa, portanto, não apenas pelo cumprimento das normas, mas também pela participação ativa dos(as) Docentes na defesa de seus direitos.


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